terça-feira, novembro 14

Efeitos Colaterais do Poder

Por Rosana Almeida


Quando se pára pra pensar nas reações que o poder pode exercer sobre o homem, normalmente os resultados são sempre inesperados. Não somente no tocante ao poder político praticado dentro dos gabinetes, repartições públicas ou pelas autoridades de forma geral. Mas também em todas as esferas da sociedade.

Não importa a classe social, a escolaridade, a cor ou a nacionalidade de cada um, o relacionamento das pessoas que sentem o poder em suas mãos, ou buscam o poderio, é quase sempre conflituoso e polêmico.

Para alguns estudiosos existem cinco grandes tentações para ser humano: o poder, o poder, o poder, o dinheiro e o sexo. “O poder não muda quem o possui. Mas, revela às pessoas a sua verdadeira personalidade, porque algumas daquelas que têm baixa-estima e começaram usar o expediente para se destacar diante dos outros que o rodeiam, passaram a perceber que as facilidades vêm ao encontro quando se apresentam perante os outros não como si próprio, mas através de sua função, utilizando-a para revestir o seu papel social”, disse o escritor e teólogo Carlos Alberto Libânio Christo, a uma revista de circulação mensal. Através da qual continua, “o poder está fundado numa promessa de gozo, compensações e felicidades. Uma vez sem ele o indivíduo sente-se humilhado, pois o poder é sedutor e vicia. Além de trazer uma série de benefícios como possibilidades de influências e mordomias, abundância de favores e prazeres, facilidade de inserções sociais dentre tantos outros”.

A busca por enriquecimento e por prestígio social elevado são hoje os dois maiores motores de motivação. Isso porque o poder é muitas vezes confundido com a expectativa de enriquecimento e onipotência refletidos pelo sistema capitalista.

O filósofo Michel Foucault através de suas várias obras, ainda constata que o poder se exerce na sociedade não apenas por meio do estado e das autoridades formalmente constituídas, mas outras formas, em uma multiplicidade de sentidos, em níveis distintos e variados, dos quais muitos deles absorvidos inconscientemente pelo receptor. Entretanto, quando percebido, a utilização da resistência frente ao poder não se realiza em virtude da dominação, que implica não só uma passividade daquele que é sujeito a ela, mas também do dominador. O qual o único recurso consiste em recorrer à força (física ou psíquica), e o recurso à força é também um sinal de impotência.

Por outro lado, é possível exercer o poder sem fazer nada ou de forma inconsciente. “A inércia com que a elite brasileira encara os problemas do País é, por exemplo, a expressão clara de uma vontade de manter a própria situação de poder”, finaliza Christo.