segunda-feira, novembro 13

Seria falta do que fazer?

Por Rosana Almeida
17 de novembro – Dia Internacional do Estudante
Grandes escritores marcaram época na literatura brasileira. Mas nem assim foram exemplos de comportamento. Eram jovens e ricos. Ultra-românticos que só pensavam na morte.

Contam os registros que na parede do seu quarto, o poeta Álvares de Azevedo deixou a seguinte nota: “1850 – Feliciano Coelho Duarte. 1851 – João Batista da Silva Pereira. 1852 ...” Era assim que datava o falecimento de dois amigos próximos. E nas reticências, sua própria morte, aos 21 anos: “A cada ano uma vitima se perde nas ondas, e a sorte escolhe sorrindo os melhores dentre nós”.

Destino semelhante ao dos outros poetas e escritores da geração ultra-romântica ou byroniana, dentre os quais apenas Guimarães chegou à velhice. Eram alunos do Curso jurídico de São Paulo, na metade do século XIX. De classe abastarda e presos a uma província, seguiam os passos de Lord Byron, poeta inglês que adotava comportamento excêntrico e cuja obra pessimista era marcada pelo “mal-do-século”: uma melancolia permanente, que os médicos atribuíam a uma bile negra produzida no baço.

Reunidos na Chácara dos ingleses, os estudantes promoviam orgias, adotando nome de personagens byronianos. Segundo relatos da época, os jovens Aureliano Lessa, Bernardo Guimarães e Álvares de Azevedo, entre outros, teriam fundado em 1845 a Sociedade Epicuréia, que tinha como objetivo “realizar os sonhos de Byron”.

Os jovens chegaram a eleger a rainha dos mortos, uma prostituta de nome Eufrásia, que eles puseram em um caixão no cemitério da Consolação. Quando abriram a tampa novamente, ela havia morrido. Que susto!